Seminário “Transportes: uma história efémera ou um futuro em mudança?”

24 de Outubro – Auditório da Carris, Miraflores

 

- Conclusões -

 

 

 

Decorreu no passado dia 24 de Outubro, o Seminário “Transportes: uma história efémera ou um futuro em mudança?”, no Auditório da Carris em Miraflores. Este evento pretendeu também assinalar os 20 anos de existência da Fernave, e, por outro lado, promover a partilha de boas práticas, bons exemplos e de ideias positivas sobre o sector. De facto, “crise” foi a palavra vetada ao longo do evento, dando lugar a “oportunidades”.

 

Cerca de 100 participantes estiveram presentes, representando empresas como CP, REFER, CARRIS, REFER TELECOM, IMTT, THALES, MOTA-ENGIL, TRANSTEJO, entre outras.

 

O programa do Seminário, incidiu na apresentação e debate de três temas distintos: “Casos Reais: Perspectiva do Tecido Empresarial”; “Estratégia do Sector: Novas Abordagens”; “Portugal e a Internacionalização do Sector”. Nestes intervieram vários oradores, representantes de empresas nacionais e internacionais do sector, estando a moderação a cargo de Jornalistas do Expresso, Transportes e Negócios, e Económico TV.

 

A realçar das intervenções no âmbito do primeiro tema, Lídia Sequeira, Presidente da Administração do Porto de Sines, que apresentou uma visão diferente do dia-a-dia do trabalho portuário e o conceito de “brainports”, uma gestão portuária sem papel, e que “vai mais longe que o próprio nó portuário” através da criação de uma Janela Única Logística (JUL), que alargue esta visão até à “cadeia logística de transportes e até ao destino final da mercadoria”.

 

Alain Descamps, por seu turno, apresentou uma visão pragmática do operador privado, afirmando que “Portugal não tem sido um modelo de transparência nas concessões de transportes. Na Carris, segundo Pedro Ramos, a adopção de uma liderança mobilizadora positiva, ao nível dos recursos humanos, tem provado ser extremamente eficaz na gestão dos processos de mudança vividos na empresa, que enfrenta, após a fusão com o Metropolitano de Lisboa, o novo desafio da concessão.

 

O período da tarde, iniciou-se com a afirmação de José Benoliel, Presidente da CP, de que “o sector ferroviário está pujante de inovação”. Segundo José Benoliel, o futuro do sistema de transporte terrestre está condicionado pela sua sustentabilidade ambiental e energética, devendo ser implementadas soluções de intermodalidade, que potenciem e optimizem a eficácia do sistema de transportes. Atratividade, desenvolvimento sustentável, segurança do sistema e de pessoas e bens, resiliência, liderança sectorial e capacidade de financiamento do sistema, são factores chave para o alargamento da quota do caminho de ferro, segundo o relatório preliminar da UIC. Em Portugal, José Benoliel defende que, após ultrapassada a crise financeira, “há que recuperar o tempo perdido e desenhar um novo Plano estratégico de Transportes que devolva ao caminho-de-ferro o lugar que lhe cabe desempenhar no quadro de uma politica sectorial ao serviço da mobilidade dos cidadãos.”

 

Ainda no âmbito das novas abordagens do sector dos transportes, Francisco Murteira Nabo, frisou que é essencial que Portugal reduza os seus custos de transportes nas ligações ao exterior, tire partido do espaço marítimo ao seu dispor e se torne cada vez mais um País da CPLC, de modo a aumentar a competitividade externa.

 

O último tema, dedicado à internacionalização, contou entre outras, com a intervenção de Eric Peiffer, CEO da Vecturis, que explicou qual a realidade africana em termos de infra-estruturas, material circulante e recursos humanos, onde são necessárias reabilitações profundas, aquisição de material e recuperação do material existente e ainda a formação e melhoria dos recursos humanos, tendo nesta área a Fernave assumido um papel activo fundamental.

 

Jorge Costa, CEO da Transcom, empresa participada da Fernave em Moçambique, por seu turno, cita Dr Mohan Kaul Co-Chair da Commonwealth Business Council: “Mozambique is the hottest investment destination on the planet”. Efectivamente, segundo a Economist Intelligence Unit, prevê-se que economia moçambicana cresça 8% até 2017, apoiada em três potenciais focos de desenvolvimento, designadamente: sector do carvão, construção de novas infra-estruturas de transportes, e também as maiores reservas de gás natural do mundo.

 

A sessão foi encerrada pelo Senhor Secretário de Estado Adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional, António Almeida Henriques, que reforçou que Moçambique é um País com grandes oportunidades de negócio e desenvolvimento para as empresas Portuguesas, sobretudo no domínio ferro-portuário, caso estas se consigam posicionar de forma concertada. Acrescentou ainda que “a internacionalização é uma via de grande oportunidade para a melhoria da posição competitiva das empresas”, detendo o sector dos transportes a responsabilidade de contribuir para uma melhor performance e crescimento da economia nacional, no sentido em que a eficiência, sustentabilidade e modernidade das redes de transportes, são um factor decisivo para as exportações nacionais.